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Ainda sobre plágio (in?)voluntário e outras transgressões envolvendo citações e referências

Em post anterior, comentei sobre como a elaboração incorreta de citações e referências pode ser caracterizada como plágio. 
Vou dar continuidade ao assunto, tratado de outras duas situações envolvendo citação de obras não lidas. Trata-se, basicamente, de citar o cara mais famoso, visando criar uma falsa imagem de autoridade intelectual.
Essas práticas são evidentes transgressões éticas. 


1 - Citando ideias de obras não lidas.

Vamos pegar um caso hipotético: uma pessoa está escrevendo um artigo sobre processos de aprendizagem e tomou conhecimento da obra de Piaget, por meio do livro "Piaget para Leigos", escrito por Maria da Silva. Mas, quando cita as ideias de Piaget, ela não cita a Silva, cita o Piaget. 
Isso é claramente antiético, pois não reconhece o trabalho de tradução, interpretação e síntese que a Maria da Silva teve

2 - Citando as palavras de autores não lidos.

Parecido com o primeiro caso, só que agora a apropriação é de citações literais. 
A pessoa pega um trecho citado literalmente em um trabalho, copia e referencia como se ela tivesse lido o trabalho original. 
Vou dar um exemplo.
Digamos que alguém esteja escrevendo sobre pesquisa e docência  e esteja lendo o artigo: "A pesquisa na formação em exercício de professores de ciências e biologia", de Oliveira e Chapani, e encontra a seguinte citação literal de um livro de Paulo Freire:
 que há de pesquisador no professor não é uma qualidade ou uma forma de ser ou de atuar que se acrescente à de ensinar. Faz parte da natureza prática do docente a indagação, a busca, a pesquisa, o de que se precisa é que, em sua formação permanente, o professor se perceba e se assuma, porque professor, como pesquisador (FREIRE, 1996, p. 32).  
 Então, nosso indolente acadêmico copia a citação literal  e referencia Freire, como se tivesse de fato lido a "Pedagogia da Autonomia". 
O correto a ser feito é:
 que há de pesquisador no professor não é uma qualidade ou uma forma de ser ou de atuar que se acrescente à de ensinar. Faz parte da natureza prática do docente a indagação, a busca, a pesquisa, o de que se precisa é que, em sua formação permanente, o professor se perceba e se assuma, porque professor, como pesquisador (FREIRE, 1996, p. 32 apud OLIVEIRA; CHAPANI, 2017, p. 5). 
 Nas referências deve-se colocar o obra de Oliveira e Chapani.
(Quero dizer, na verdade o correto mesmo é nosso acadêmico deixar de ser tão indolente e ler Freire, que é referência obrigatória ao tratar da relação entre pesquisa e docência.) 
Essas falhas são difíceis de serem descobertas, mas com certeza quem fez, sabe que fez e agora sabe também que é errado fazer dessa forma.
Vamos citar quem a gente de fato leu?  


Crédito da imagem
: <a href="https://br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/pessoas">Pessoas foto criado por luis_molinero - br.freepik.com</a>

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