Pular para o conteúdo principal

Teve seu artigo publicado e achou que o trabalho havia acabado? Não, ainda tem mais um servicinho para você fazer.

Publicar trabalhos científicos é uma atividade bastante árdua.
Na melhor das hipóteses, você faz um projeto, submete ao comitê de ética, vai atrás de recursos para o seu desenvolvimento, coleta dados, analisa, escreve, submete a um periódico, espera pelo resultado, faz as adequações recomendadas pelos pareceristas, espera mais um pouco e finalmente o artigo é publicado. 
Digo na melhor das hipóteses porque em qualquer uma dessas fases diversas coisas podem dar errado e você terá que corrigir, adequar, reformular, reiniciar ou mesmo abandonar seu projeto e começar outro. 

Mas, se enfim, seu trabalho foi publicado, parabéns! 

Você pode pensar que agora o processo está terminado e você poderá se dedicar a outro projeto.
Infelizmente as coisas não são bem assim.
Agora, você precisa fazer com que as pessoas saibam da sua publicação e se interessem em lê-la e, quem sabe, citá-la.
E como fazer isso?
Vou tomar como base as respostas postadas por pesquisadores do mundo todo à questão proposta  no ResearchGate por Rolf Nilsson: "Como você aumenta a visibilidade de um artigo publicado?"
  1. Diversos pesquisadores indicaram os cuidados que devem ser tomados antes da publicação para que o artigo ganhe visibilidade:
    • Colocar um título interessante
    • Escrever um bom abstract
    • Ter como coautores pesquisadores de outras regiões/países
    • Publicar em periódicos renomados, com alto fator de impacto
    • Publicar em periódicos que tenham acesso aberto ao conteúdo 
  2. Algumas respostas referiram-se à divulgação do artigo em âmbitos restritos, como por exemplo:
    • Colocar uma cópia do artigo no quadro de avisos do departamento ou mesmo da lanchonete da instituição.
    • Solicitar do setor de comunicação social uma apresentação no jornal e/ou site da instituição.
    • Enviar por email para seus contatos.
  3. Outras respostas referiam-se à divulgação no âmbito acadêmico mais amplo:
    • Por meio de plataformas acadêmicas como  Lattes, ORCID etc. Incluir os links de suas páginas destas plataformas em outras mídias sociais.
    • Redes sociais voltadas para pesquisadores: ResearchGate, Academia.edu, Medeley
  4. Algumas apontam para um âmbito ainda mais amplo:
    • Redes sociais em geral, como LinkedIn, Instagram, Facebook etc. 
  5. Outras respostas referiram-se à apresentação do conteúdo do artigo em outros formatos, como:
    • Palestras, seminários, workshop etc.
    • Webinar
    • Posts em blogs
    • Resumo na Home Page pessoal e/ou do grupo de pesquisa. 
    • Fazer um vídeo e postar no YouTube.  
  6. Algumas ações indicadas pelos pesquisadores que responderam a questão podem ser um tanto problemáticas e trazer, inclusive, questionamentos éticos, por exemplo:
    • Incluir o conteúdo do artigo nas atividades das aulas e cobrar nos exames (não vejo problemas em incorporar às aulas, pois, o pesquisador ensina justamente os temas que pesquisa. Porém, obrigar a leitura do artigo por meio de cobranças em provas, parece que ultrapassa a fronteira da ética).
    • Fazer citação do trabalho em publicações futuras (sobre isso, veja o post "Espelho, espelho meu").
    • Traduzir o artigo para outra língua (tudo bem se você avisar que se trata de uma tradução, mas muito errado se a tradução for apresentada como um trabalho original).
Veja também:

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

5 exercícios para fortalecer sua escrita acadêmica

É comum que professores e orientadores ouçam de alunos e pesquisadores inciantes queixas sobre a dificuldade em escrever textos científicos e trabalhos acadêmicos em geral. Uma dessas dificuldades costuma ser a falta de experiência na articulação suas próprias idéias (e palavras) com as das obras que dão sustentação ao trabalho.  Eu já havia abordado esse assunto em post anterior ( Algumas sugestões para você que está fazendo seu TCC ). Então, aqui vão algumas sugestões de exercícios que você pode fazer para superar essa dificuldade e fortalecer sua escrita. Um alerta: você sempre deve dar crédito para os autores que usar como referência (leia posts sobre plágio aqui e aqui ).  1- Nível dente de leite Inicie seu treino fazendo paráfrases bem simples.  O dicionário vai ser seu melhor amigo no desenvolvimento deste exercício. Você pode começar substituindo alguns termos por sinônimos, mudar a forma como orações estão organizadas ou ainda reduzir ou ampliar...

Quem fala em um artigo científico?

 Photo by Kane Reinholdtsen on Unsplash Por trás da definição sobre quem fala em um artigo científico existem fundamentos epistemológicos e retóricos. Os fundamentos epistemológicos relacionam-se com as diferentes concepções de ciência. Simplificando, diríamos: uma concepção de ciência neutra e objetiva pede que se use o impessoal em sua comunicação (por exemplo: observou-se, analisou-se, concluiu-se). Uma concepção de ciência que considera a subjetividade do pesquisador e a construção social do conhecimento admite o uso da primeira pessoa (por exemplo: observei, analisei, conclui ou observamos, analisamos, concluímos). Também entram em cena os fundamentos retóricos. Afinal, o propósito de um artigo é persuadir a comunidade científica de algo.  Se o autor considerar que a força do método terá maior capacidade de persuasão, ele utilizará o impessoal, com os verbos na terceira pessoa do singular acompanhado da partícula reflexiva (por exemplo: notou-se), de modo a convencer o l...

Publicações-salame: o que são e porque devem ser evitadas.

Se você for um pesquisador iniciante e me disser que nunca ouviu falar em publicações-salame ( em inglês:  salami slicing ) , eu acredito. Embora seja uma prática condenada entre os acadêmicos, sendo mesmo considerada uma conduta antiética , os responsáveis pela formação dos pesquisadores raramente tratam do assunto. Quer saber do que se trata? Vou dar uma dica: as Diretrizes B ásicas para Integridade na Atividade Científica  do CNPq (BRASIL, 2011) afirmam que: se os resultados de um estudo único complexo podem ser apresentados como um todo coesivo, não é considerado ético que eles sejam fragmentados em manuscritos individuais. Então, agora você já sabe: publicações salame são diversas publicações derivadas de um mesmo estudo, que foi "fatiado" para esse fim. São também chamadas de publicações segmentadas ou fragmentadas (ASSIS, HOLANDA; AMORIM, 2019; GIMENEZ; GIMENEZ; BORTULUCCE, 2015).  E porque essa seria uma prática condenável? Bom, por vários motivos: essa seri...